Por onde andei

Ao escrever esse texto no WordPress, percebo que minha última publicação é de exatamente 2 anos atrás e se baseia em anotações guardadas há um bom tempo. O post mais recente escrito durante uma viagem já vai fazer 3 anos, mas é claro que eu não parei de rodar por aí.

Ainda quero contar sobre as coisas boas e lugares por onde andei desde então. Antes, preciso explicar o que tirou minha vontade de escrever aqui. 

Pode parecer uma coisa boba à primeira vista: um pequeno acidente de bicicleta que só me deixou parada por algumas semanas. Sequelas físicas relativamente fáceis de tratar com uma cirurgia e um par de pinos no cotovelo. Nada que me impedisse de ter reuniões virtuais no hospital e usar ferramentas de voz para escrever meus textos de trabalho, fazendo tudo com a mão direita. 

É, que sorte para uma destra quebrar justamente os ossos do braço esquerdo! 

Só que todo o controle emocional que eu me impus naqueles dias acabou desmoronando. A dor e a frustração voltaram a me atormentar nas sessões de fisioterapia (que eu apelidei de sessões de tortura), o choro que eu engoli a muitos quilômetros de casa começou a transbordar quando voltei.

E essa nem é a pior parte da história. O braço está quase perfeito, faz quase todos os movimentos, quase sem doer. O problema é que algo quebrou na minha mente. 

Passei a sentir um grande desespero na maior parte das vezes em que eu estava em um carro em trânsito, principalmente quando era a minha mãe que estava ao volante. Era como se estivéssemos prestes a morrer em um acidente, mesmo que nada ao redor demonstrasse esse risco. Eu tentava ao máximo evitar esse tipo de ideia, mas tinha a sensação de esvaziar por dentro e depois ser invadida por um terror incontrolável. 

Desde então, tenho feito várias coisas que estão me ajudando a recuperar e manter a minha saúde mental. Essas coisas que até podem parecer “modinha” pra quem nunca teve um ataque de pânico ou conviveu com alguém que passa por isso… 

Já não me sinto a pessoa destemida de sempre e o distanciamento do blog é um dos sintomas dessa “sequela” que finalmente decidi encarar. Afinal, este é o lugar onde revivo histórias de viagem e combino grandes paixões: sair pelo mundo, conhecer novas culturas, escrever o que penso, trocar.

Pedalar também sempre esteve nessa lista e, aos poucos, estou retomando uma relação saudável com isso (apesar de ter colocado a bicicleta do acidente à venda).

Tenho muita gratidão pelo apoio dos meus amigos lá de João Pessoa, de tanta gente que mal me conhecia e me ajudou naqueles dias em que fiquei “sozinha” no hospital, da minha mãe que se despencou pra lá mesmo que eu tentasse impedir por conta da pandemia, dos físios maravilhosos que se esforçaram pela minha recuperação, de quem me deu força naquela época e continua dando porque “tamo junto” nessa vida. 

Nossa, tudo isso é só uma introdução? Mais ou menos. Estou cumprindo a promessa que fiz (a mim mesma) de voltar a escrever e publicar minhas próprias histórias. Talvez até apague esse post em alguns dias, mas expor esses sentimentos aqui também foi um exercício de coragem. 

Espero que você entenda… E, já que chegou até aqui, agora vai saber por onde andei “literalmente”.

Desde o último post deste blog fiz uma road trip pela Espanha, passei uma temporada na Costa Rica e outra em Paraty, além de ter viajado por diferentes partes do Brasil: cidades históricas de Minas daqui até Belo Horizonte, Angra, Petrolina e Juazeiro, Recife, Salvador, Aracaju, Penedo (com outras cidadezinhas no interior de Alagoas) e Maceió.

Ainda vou compartilhar as fotos e anotações feitas naqueles destinos, além de documentar algumas viagens que fiz muito antes de pensar em ter um blog. Aliás, este dinossáurico espaço online vai virar uma espécie de álbum aberto para a gente (e quem mais quiser) espiar.

Então, até o próximo post.

Beijos, Prats 

PS – A foto de abertura é do Chico Audi (eu só estava posando para ele fazer um teste e depois clicar o cantor José Augusto para a capa de um CD e, sim, é antiga desse tanto). 

Cantinho de trabalho em home-office @pratserie

5 Replies to “Por onde andei”

      1. sim eu tbm as guardo com muito apreço. e achei fantástico tu ter viajando tanto . Fiquei maravilhado por vc . Sei o qnto tu ama . E que em muito breve tu volte com os pés na estrada .melhoras pra ti Fernanda .😉💃💪💪

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