Partidas, Luto e Mudança

Tudo aconteceu muito de repente. Acordei estranhamente triste no dia em que meu pai foi hospitalizado, apesar de só ter recebido essa notícia à noitinha. De certa forma, já estava antecipando uma sensação de luto.

Foi um dia confuso, arrastado. Passei a tarde fazendo mil conjeturas sobre a minha mudança da  Albânia, mas não estava animada como de costume ao planejar a ida para um novo país. Achei que eram saudades adiantadas.. Então,  minha mãe ligou para avisar da internação.

Alterei meus planos radicalmente e decidi vir para o Brasil ‘tomar conta do meu velho’. Afinal, ele não tinha nenhuma doença grave e eu pensava que aquilo seria apenas um alerta. Não sei se minha intuição falhou nesse ponto, ou se foi falta de coragem para ouvir o que meu coração tinha a dizer…

Quando eu estava no aeroporto, prestes a partir, meu pai partiu.

Dois voos e duas longas esperas ainda me separavam de um abraço, a única coisa que poderia me trazer algum conforto naquele momento. Tentei anestesiar minha dor com os vinhos servidos a bordo, tentei dormir, tentei chorar mais à vontade no banheiro do avião, tentei assistir filmes e séries, mas nem lembro do que vi.

O que se passou nos dias seguintes não foi muito diferente – mesmo tendo abraço, colo de mãe, pão de queijo e uma porção de outras coisas que eu tanto sentia falta. Meu corpo e minha mente pareciam seguir em frente, mas o que realmente me dominava era uma sensação de vazio.

Até que um dia eu deitei sozinha na grama para ver o por de sol. Como eu tinha colocado o mat de yoga, comecei despretensiosamente a fazer algumas posições de relaxamento e a manter meu foco na respiração. Quando me dei conta, estava chorando. Literalmente de peito aberto, deixei que o choro mais profundo saísse. E me permiti sentir que o meu amor de filha seria uma conexão eterna com meu pai.

Enfim, comecei a aceitar o luto e pensar na vida a partir dessas partidas.

Entendi que a dor, a saudade, as lembranças ou distrações não são capazes de reverter essa triste realidade – só que é dela que preciso  cuidar agora.

Pretendo ficar mais alguns meses no Brasil (morando num lugarzinho pacato no interior de São Paulo) até sentir vontade de fazer novos planos. Ainda não assimilei direito essa parte da volta, mas prometo não passar mais tanto tempo sem compartilhar minhas histórias por aqui!

Agradeço a todos que enviaram as mensagens que só agora estou conseguindo responder.

Beijos, Prats

Superlua ao amanhecer @pratserie
Superlua ao amanhecer, primeira foto que tive vontade de fazer na volta ao Brasil
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4 comentários

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