4 dias na Tunísia com IA

Quer pedir para a IA montar um roteiro de viagem? Veja como foi minha experiência na Tunísia e aproveite as dicas para fazer a inteligência artificial funcionar do seu jeito.

Amo planejar minhas viagens por conta própria, só que dessa vez eu tinha pouco tempo e muitas outras coisas na cabeça… então, usei a inteligência artificial para resolver o básico e adaptar conforme as minhas preferências.

Minha curta temporada na Tunísia foi uma espécie de “espanolhice”: pura teimosia, para não desistir de (finalmente) pisar pela primeira vez no continente africano. Isso porque o plano inicial era ir para a África do Sul sozinha e acabei indo para a Espanha com um grupo que chegou a ter 10 pessoas — incluindo um bebê a bordo. Mas isso fica para outro post…

Como eu teria alguns dias a mais em Barcelona, não sosseguei até encontrar uma passagem barata para Túnis. Enquanto o rolê com a turma era prioridade, com muita troca de ideias entre humanos, o resto do planejamento envolveu um bom chat com o Gemini.😉

Como ficou o meu roteiro de viagem para a Tunísia

Em princípio, eu só queria tirar dúvidas sobre as regras de bagagem da Nouvellair e saber mais sobre as opções de transporte na Tunísia. Aí resolvi fazer a coisa direito, com um prompt detalhado e algumas perguntas cruciais para refinar os resultados. Eu não queria seguir cegamente um roteiro ou fazer uma maratona turística de 6ª à 2ª, mas ficar tranquila quanto ao planejamento básico e curtir a experiência sem pressa.

Roteiro Tunísia 4 dias

Colagem de fotos icônicas na paleta de cores predominantes na Tunísia.

Dia 1 – Principais atrações de Túnis, a capital

  • Museu do Bardo: famoso por ter a mais rica coleção de mosaicos do mundo, é o maior museu do país.
  • Arco Bab el Bhar e Mesquita Zitouna: na passagem da Túnis atual para a área do antigo bazar.
  • Medina de Túnis: com aquela profusão de pessoas, cores e aromas que logo vem à cabeça quando se fala em souk (bazar) à céu aberto na Tunísia..
  • Café Panorama: um terraço descolado no topo do souk, que serve o tradicional Thé aux Pignons (chá de hortelã com pinhões) e uma bela vista do pôr do sol na cidade.

Para compensar o voo tarde da noite, bloqueei a parte da manhã e resolvi pegar leve no que costumo fazer ao chegar nos lugares: ver o que tem nos arredores do hotel, sacar dinheiro, dar um rolê no supermercado… Depois, comecei com tudo.

Inclusive, com uma rápida confusão sobre o metrô. 

É que eu procurava uma entrada para “descer” até a estação, mas o métro léger de Tunis corre sobre trilhos na superfície — e está mais para um trem fantasma quando entra em algum túnel.

Como o Museu do Bardo não abre às segundas (dica da IA), essa foi a minha primeira “atração” do dia. Achei lindo, tranquilo, hipnotizante… e ainda escapei do calorão.

Colagem com imagens das salas do Museu do Bardo em Túnis, Tunísia, com detalhes dos mosaicos.

No final da tarde, fui ver os ícones da cidade e me embrenhei pela Medina de Túnis. Segui o Google Maps e passei pelos mais diferentes cenários até chegar à loja com vários lances de escadas que levam ao Café Panorama.

Alguns ambientes lotados de pessoas e quinquilharias, outros meio desertos e escuros. De repente, um raio de sol parece focar nos homens fumando narguilê. Corta para um beco que parece ocupado pela sombra gigantesca de um gatinho. Com aquela luz de hora mágica do cinema, sensação de estar em um filme.

Depois de tomar o famoso chá, perguntei ao garçom se tinha um caminho mais direto para não ter que repetir a aventura pelas ruelas do souk. E não é que ele já estava de saída e me levou tranquilamente até o ponto onde eu já sabia voltar para o hotel? Chokran!🙏

 Montagem de fotos da Medina de Túnis mostrando o monumento Bab el Bhar com fonte de água, especiarias coloridas e ruelas históricas.

Dia 2 – Cartago e cidades vizinhas no litoral

  • Ruínas de Cartago: patrimônio Mundial da UNESCO à beira-mar, com vestígios do império romano e de outras civilizações que muita gente só conhece de nome. 
  • Sid Bou Saïd: o famoso vilarejo em azul e branco no alto de uma colina, com vista para o Mediterrâneo.
  • La Marsa: cidade fervida nos finais de semana, com famílias passeando pela orla e o pessoal nos barzinhos.

Depois do intenso “reconhecimento de área” no dia anterior, tomei um trem normal que leva a outras cidades menores bem próximas a Túnis. Em Cartago, visitei os Banhos de Antonino, o Anfiteatro, os Portos Púnicos e o Tophet, onde aconteciam os sacrifícios e rituais dos fenícios. Mais de 20 séculos de história e muito suor entre o mar e a colina, com direito a foto pulando entre as ruínas.

Mulher sorrindo e saltando no ar em frente às arcos e colunas de pedra antigas nas ruínas de Cartago.

Próxima parada: centrinho de Sid Bou Saïd e mais bateção de perna, agora junto com toda uma galera que estava ali para ver-e-ser-vista. O ambiente do café Ben Rahim chamou minha atenção e acabei descobrindo que se trata de uma marca tunisiana com cafeterias na Alemanha e no Catar. Não saí de lá sem tomar um dos cafés especiais…

De lá, segui até La Marsa e aproveitei para ir ao cinema do espaço cultural L’Agora, um lugar descolado que também não estava nas dicas da IA. Já estava achando que não encontraria o tal do Bambaloumi (que estava na minha lista) até me deparar com as filas para comprar esse doce que parece um donut gigante. Só não tive vontade de provar.

Dia 3 – Bate-volta até Hammamet

  • Um dia inteiro na área de Sidi Bou Hadid: onde fica a famosa Medina branca com o kasbah (forte cercado por muralhas históricas à beira-mar) e muitas lojinhas daquelas que despertam a vontade de levar tudo pra casa.
Mosaico de fotos da cidade de Hammamet com portal branco abrindo para a praia, ruelas com portas azuis e muralhas históricas.

O dia começou com um quase-perrengue porque fui checar os horários do trem na recepção do hotel e eles colocaram no meu mapa o caminho da rodoviária. Não desconfiei porque boa parte do caminho ladeava trilhos. Só que o ônibus saía bem mais tarde e resolvi perguntar pela rua até chegar à ferroviária (que não era a mesma do dia anterior).

Lá, conheci duas inglesas divertidas, com quem acabei fazendo a maior parte do passeio. Elas também tinham a recomendação de pegar o bilhete de primeira classe e a gente riu muito ao constatar como a IA errou nessa dica. Aliás, eu reparei no dia anterior que o vagão “de 1ª” ia vazio, só não tinha entendido que era por ser tão (ou mais tosco) que os demais.

Hammamet fica um pouco mais longe, mas vale muito a visita. 

O dia teve clima de ensaio fotográfico: as ruelas estavam mais vazias e era irresistível clicar os detalhes que faziam contraste com visual todo branquinho ao redor — além de posar naquele cenário, claro. 

Três garotas fazendo um brinde com copos de bebidas coloridas com hortelã em uma mesa de café ao ar livre.
Um brinde às conexões humanas que nenhum algoritmo prevê! 🍹

Na volta, peguei a famosa louage (que funciona no esquema de lotou-partiu), o último modal de transporte local que faltava experimentar rs. Não sei se foi a paisagem pela janela, a atmosfera na van ou a conversa com algumas pessoas mais curiosas… só sei que, finalmente, me senti na África!

Dia 4 – Compras e o  Túnis

  • Avenue Bourguiba: chamada de “Champs-Élysées tunisiana” nos guias.
  • Ruas comerciais, mercado e o lado menos turístico do souk.

Fiz uma porção de coisas: visitar a igreja católica que o motorista do inDrive tinha apontado na chegada, ver tudo quanto é tipo de loja, sentar em uma das mesinhas no calçadão, comer tâmaras no mercado de rua, entrar numa parte do souk que mais parece o Brás ou o Saara (polos de comércio popular no Brasil) e comprar só o que caberia na bagagem.

A ideia era sair no ritmo de “deixa a vida me levar” até a hora de ir para o aeroporto, mas acabei dando quase 20.000 passos como nos outros dias. Nessas andanças, anotei várias curiosidades que vou contar em um próximo post. Aguarde!

Roteiro de viagem com IA: expectativa vs. realidade

Se você conta com ferramentas como o Chat GPT ou Gemini no dia a dia, já deve ter uma ideia de como usar IA para planejar uma viagem. Mas acho bom ressaltar que a inteligência artificial funciona como um filtro de informações que a maioria dos viajantes postam, com muito foco em plataformas como o TripAdvisor e no conteúdo disponível em inglês. 

Mesmo que a gente peça uma dica de atração fora do convencional, é provável que o resultado seja algo divulgado como off the beaten path por uma porção de influencers.

Mas tudo bem! O importante é levar isso em conta para adaptar as sugestões usando o que tem de melhor no seu cérebro. Tenho editado muitas traduções geradas por inteligência artificial no trabalho e já vi a IA alucinar algumas vezes. Então, não deixe de desconfiar e conferir os resultados!

Tipo de sugestãoO que funcionou… ou não
HospedagemPude comparar alguns hotéis que vi nos apps que sempre uso e em blogs de viagem. Decidi pelo que era mais prático para o meu roteiro e bom para deslocamentos a pé.✅
TransporteNão foi bem um “fora”, mas a dica do trem de 1ª classe deve ser antiga ou escrita por quem sente insegurança em se misturar aos locais. Na prática, achei mais seguro ir na galera😉 
Restaurantes e pratos típicosFui decidindo pelo caminho porque notei que só tinha homens em vários restaurantes. Mas as dicas pareciam legais para quem tem tempo ou não vai viajar sozinha para a Tunísia.❌
ProgramaçãoÓtimo para organizar as ideias sobre o que fazer em Tunis e nos arredores da cidade, como aproveitar melhor os trajetos, além de conferir preços e horários de funcionamento etc.✅
Dicas práticasO que funcionou: as dicas sobre o eSIM e as expressões locais para saudar, agradecer… e se livrar de vendedores insistentes✅
O que ignorei (sem problemas): levar sombrinha e repelente, evitar andar na rua à noite.😉
O que deu ruim: a IA me deu várias dicas de câmbio, mas deixou de me avisar que o dinheiro local não pode ser usado no aeroporto.❌

É, salvei uns bons dinares tunisianos (TND) para jantar no aeroporto e fazer umas comprinhas sem saber que não é permitido usar nenhum centavo da moeda local após passar pela imigração na saída da Tunísia. 

No fim, essa “furada” teve um final feliz: dei o dinheiro para a senhora que estava limpando o banheiro e ela começou a jogar beijos no ar para mim e fazer uma reza. Em seguida, a moça de uma das lojas foi com a minha cara e me deu um objeto que eu amei (e levei ao caixa por engano por que era decoração kkkk).

Exemplo de prompt para montar roteiro de viagem com IA

Mais do que copiar prompts de viagem no Gemini ou em outras ferramentas de IA, é importante escrever um texto bem específico para deixar o roteiro redondinho. Não tenha medo de se alongar para explicar melhor o contexto e as suas limitações e preferências.

Olha só o meu exemplo de prompt:

“Atue como especialista em roteiros de viagem e me ajude a definir um itinerário de 4 dias na Tunísia. Sou uma mulher viajando sozinha, gosto de caminhar sem pressa para ver a arquitetura, os produtos locais e o estilo das pessoas. Minha chegada será pelo aeroporto de Túnis na madrugada de quinta para sexta-feira e a partida será na segunda-feira à noite. Monte um roteiro com sugestões de passeios para fazer da sexta à tarde ao domingo à noite, considerando distâncias, melhores dias/horário para as visitas e meios de transporte. Inclua também dicas práticas sobre internet, moeda local (considere que tenho um cartão de débito em euros), etiqueta/adequação das vestimentas e frases úteis no cotidiano.”

Dicas para calibrar a IA

  1. Defina o seu ritmo: se você não quer que sua viagem vire uma maratona de atrações “imperdíveis”, deixe isso claro e defina os seus horários livres.
  2. Peça justificativas: continue a conversa até tirar todas as suas dúvidas. Muitas vezes, isso traz novas ideias que não estavam no seu radar (nem no da IA).
  3. Valide informações: use a IA para montar um roteiro de viagem inicial, mas não deixe de conferir sites oficiais, blogs e perfis de viajantes que você gosta e até os fóruns de mochileiros — que rendem relatos divertidíssimos.

Acima de tudo, lembre-se que a inteligência artificial não sente o clima do lugar e talvez não entenda bem a dinâmica de gênero ou outras coisas que podem fazer diferença para você.

Mulher de vestido preto, óculos escuros e colar vermelho em pé sob o sol na entrada de uma loja decorada com azulejos tunisianos.

Beijos, Prats.

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