Desabafo Olímpico

O que foi mais marcante para você nestas Olimpíadas? O Brasil conquistou mais do que medalhas em 2016 ou fiquei com uma impressão errada? Sob os holofotes do evento, pude entender com mais clareza o que motivou minha saída do país e o que não me deixa esquecer, nem por um minuto, o fato de ser brasileira…

Hoje eu acordei mais apimentada do que Curry do Sir Lanka, com vontade de fazer uma longa DR sobre o Brasil. Mas o espírito Olímpico baixou em mim, então preferi começar pelo lado (muito) bom das coisas. Por mais que pareça bobagem, lavei a alma com a cerimônia de início, com a medalha do Futebol Masculino e até com algumas mazelas do noticiário esportivo… Hello, Lochte!

Balanço-Olimpiadas-Rio-2016-por-Fernanda-Prats
Em 2014, “Fugi” da Copa e fui parar na Vila Olímpica de Helsínque  (Finlândia)

Na minha nada isenta opinião, nossa abertura foi a mais sensacional, criativa e cheia de personalidade que já vi – sem falar na ginga! Ok, rolou um certo “padrão Globo de qualidade” colocando o universo carioca naquela embalagem que estamos acostumados a ver pela TV. Teve hora que lembrou o programa Esquenta…

Aí a Anitta quebrou as expectativas de quem estava PRE-PA-RAdo(a) para NÂO curtir.

As Mina Lacra

Achei uma graça a forma que a Anitta cantou e dançou, com uma certa referência de Carmem Miranda. E o Show das Poderosas continuou com Giselle Bundchen (páhhh !) dando um update na Garota de Ipanema, Karol Conká, Elza Soares  🙌, e Léa T – Cereza do bolo. Só faltou a Fernanda Montemegro no cast.

A energia feminina foi tanta que Caetano nem deu aquela reboladinha da Itália.

Cá entre nós, as baterias de Escola de Samba já evitariam o tal vexame que tantos estavam prevendo. E ainda tivemos um imprevisto contra-ataque, uma vitória por pênaltis com gosto de goleada, um alívio. Passado o efeito de anestesia, senti com ainda mais força as dores que me fizeram sair de campo há mais de um ano.

Que Sufoco!

Na verdade, essa sensação ruim veio crescendo desde antes da Copa do Mundo acontecer no Brasil. Foi ficando cada vez mais difícil digerir a situação política, econômica, moral e cívica do nosso país. A falta de ordem e de progresso. Os helicópteros rondando meu prédio na hora do almoço e no final do dia, apontando câmeras para os inúmeros protestos na região da Av.Paulista, onde eu morava.

Depois de um tranquilo show de Paulinho da Viola, no aniversário de São Paulo, testemunhei uma cena insólita. De um lado, a polícia montando barreira com escudos e cassetetes. De outro, uma legião de pessoas encapuzadas a poucos metros de distância. Olhares cheios de fúria, todos a postos para um duelo em frente ao Teatro Municipal.  Me abriguei dentro de um café e, ao voltar para a rua, caminhei num cenário de filme de guerra. Só que a destruição era real.

A Tal da Banalização

Outra cena que nunca esqueço: mãe e filha voltando da escola, dando passo mais largo para não pisar em mendigo deitado na rua. Sem alterar o ritmo da conversa, sem trocarem olharers solidários ou indignados. Tão acostumadas com a desgraça alheia, que apenas evitavam tropeçar nela. Fiquei imaginando o impacto dessa mentalidade no futuro da garotinha e da cidade.

Eu sempre me comovi com o problema dos moradores de rua e já participei de alguns movimentos para ajudar, mas não me sinto melhor do que estas pessoas por conta disso. Então saltei mais pra longe sem culpa. Fiz o que meu coração mandou e parei de reclamar de tudo e todos – o que parece ser o esporte nacional mais “medalhável” atualmente.

Desempate

Pronto, voltei pro tema sem deixar a deixa peteca cair. Esse foi o maior aprendizado: tomar atitudes genuínas em vez de ficar criticando o que está feito – e inclusive já foi pago com o nosso dinheiro e nossos micos. Na real, eu estava tão frustrada com a situação do país que não queria nem me posicionar em disputas online. Não via o menor sentido em me engajar apenas para fazer parte da equipe verde-amarela, vermelha, preta ou cor de burro quando foge. Busquei minha oportunidade de ouro e tenho me esforçado para merecê-la com toda minha garra de brasileira. Com muito orgulho, com muito amor.

Slovenians Womens Olympic Team
Radicalizando com as meninas da equipe olímpica eslovena e minhas amigas do Remote Year (pela altura você descobre quem é quem, hehehe)

Beijos, Prats

 

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