3 coisas a evitar na Ásia (ou viajando sozinha para outros países)

Esta pequena seleção foi criada a partir de gafes ‘testadas e reprovadas’ pela viajante ocidental que vos escreve. Lições aprendidas no outro lado do mundo, explorando sozinha países que nos parecem exóticos como China, Japão, Malásia, Tailândia… e até morando por quase dois anos no Sri Lanka. Descobertas feitas com o pé na estrada, que eu adoraria saber de antemão.

Por isso, faço questão de compartilhar aqui!

Assim como a preocupação com o que levar na mala, é importante selecionar as atitudes e estar aberta a pequenos ajustes de comportamento – que fazem toda a diferença quando se está viajando pela Ásia e/ou chegando sozinha em um novo país.

Trinca de ‘furadas’ que vale a pena EVITAR em viagens

#1 Surpresas no banheiro

A surpresa pode até ser positiva, como no caso de alguns banheiros do Japão onde há muitas privadas high-tech como a da foto aí embaixo. Mas, talvez você se atrapalhe para entender os botões que ativam o aquecimento do assento, reposicionam os jatos do bidê interno ou apenas servem para selecionar o som da descarga que mais agrada.

high-tech wc seat, Japan @pratserie
Assento sanitário high-tech no Japão @pratserie

No entanto, o problema maior é quando se é surpreendida com aqueles ‘toaletes’ que só tem um espaço para colocar os pés e se agachar sobre um buraco no chão. Muitos desses não tem divisórias e, pior, nem sinal de papel higiênico.

Aliás, é difícil haver papel higiênico nos banheiros da Ásia em geral, nem mesmo perto das pias para secagem das mãos. Nos sanitários, é comum só haver um pequeno esguicho ou balde de água ao lado do vaso – pois é com isso que as pessoas se limpam.

Então, é recomendável ter sempre um pacotinho de lenços de papel na bolsa!

#2 Mancadas à mesa

Falta  habilidade com os palitinhos? Está difícil identificar o que foi servido? Não tenha vergonha de avisar ou de perguntar o que for preciso. Por não ter feito isso, meu pai já engoliu uma bolinha de wasabi inteira por engano! Sinto arrepios só de imaginar a sensação…

No Sri Lanka, por exemplo, as pessoas têm o costume de comer com as mãos. Só que isso não quer dizer que a gente possa simplesmente beliscar o que tem vontade e achar que está arrasando. Primeiro porque há uma série de preparações líquidas ou pastosas. E depois por causa das regrinhas de ‘etiqueta’ locais. Elas são tão enraizadas na cultura, que as pessoas podem esquecer de comentar. Aí você só sabe que está cometendo uma gafe quando percebe os risinhos da galera.

Minhas dicas para você não fazer feio são:

  • Certifique-se de que aquela sopinha servida antes da refeição seja realmente uma sopa – e não um bálsamo para você lavar as mãos antes de comer.
  • Lembre-se de que a sensibilidade com relação às comidas picantes é algo muito pessoal. Há chances de você chorar com algo que os nativos não acham ‘spicy’ ou ‘hot’ (ardido). Mais um motivo para manter o pacote de lenços de papel na bolsa 😊
  • Não faça cara-feia quando mostrarem ou descreverem algum prato. Sei que essa é uma regra básica de educação, mas é bom lembrar disso quando lhe oferecem o cérebro de um animal numa bandeja.
  • Siga os rituais. Não confie apenas nas explicações, veja também o que as pessoas fazem. Se ninguém usa a mão esquerda para comer, por exemplo, é sinal de que há um motivo para isso.

(E há, viu? Essa é a mão usada para se limpar no banheiro, eeeecaa!)

Café da manhã no Sri Lanka @pratserie
Primeira vez que eu comi com as mãos – preferi um café da manhã pra não dar mutia mancada!

#3 Parecer ‘facinha’

Esta parte pode ser um tanto polêmica, mas acho legal avisar. Por mais que a gente queira manter o próprio estilo, é importante levar em consideração e cultura local na hora de se vestir – e a mentalidade machista também.

Roupas, gestos e escolhas de linguagem podem compor uma imagem de ‘sexualmente disponível’ para geral, mesmo que a gente não perceba. E isso provoca uma série de vulnerabilidades que ninguém deseja enfrentar numa viagem. Então, é legal ter esses pontos em mente:

  • Eu ficava passada quando via as mulheres de burca na praia, acompanhando seus filhos e maridos sem camisa. Mas imagine o que as pessoas que consideram pecado mostrar os cabelos podem pensar dos nossos biquínis?
  • Tudo isso soa injusto, e eu concordo. No entanto, procuro adequar meus looks ao local e ocasião. Não preciso ir toda coberta a uma praia de turistas ou a locais onde muitas pessoas se vestem de forma ocidental. Já para os passeios em templos ou cidades fora do circuito turístico, prefiro ir de calça ou saia longa.
  • Outra coisa que sempre funciona é manter uma écharpe na bolsa, que pode ser usada para cobrir os ombros (como na foto abaixo) ou até improvisar um pareô.
  • Acho que o mais injusto de tudo é ser julgada pela nacionalidade. Só que isso acontece, e muito, no caso das brasileiras. Por isso,  às vezes minto que sou Finlandesa (ótima escolha de nacionalidade pra não alongar o papo) e casada.

Certa vez, rolou algo estranho quando eu estava papeando com dois casais de chineses. Eles eram super novinhos e animados, fazendo mil perguntas sobre futebol e banalidades. Jamais passaria pela minha cabeça qualquer possibilidade de paquera com aquele ‘meninos’. Porém, depois de um tempo, suas namoradas foram ao banheiro. Aí os celulares dos boys começaram a receber mensagens e eles resolveram pedir a conta. As garotas só voltaram quando eles estavam prontos para ir embora. Todos continuavam muito educados e simpáticos. Eu ainda não estava desconfiando de nada até que um dos caras voltou para buscar o celular na mesa e revelou, com uma piscadela: – Elas estavam com ciúmes de você!

Ok, tem certas coisas que não dá para imaginar e evitar em viagens seja para a Ásia ou qualquer outro país. Então, é  melhor não se colocar em situações vulneráveis – principalmente quando se viaja sem ninguém para dar aquele ‘help’ na hora certa… ou rir com você nas eventuais gafes!

Quer dividir um ‘micón’ comigo ou perguntar algo? É só escrever no caixa de comentários que eu respondo rapidinho.

Beijos, Prats

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2 comentários

  1. no srilanka eles tem o custume sim de comer com as mãos, mas, o visitante não precisa fazer igual.sempre tem talheres na mesa, dai se o convidado quiser experimentar, tudo bem.mais, não é obrigatório. Sou casada com um senegalês e todo ano vamos para lá e nunca fiz minhas refeições igual a eles.

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    • Exatamente, Maria. Obrigada por seu comentário! Eu mesma só me atrevi a comer com as mãos tendo alguém para me orientar – e mesmo assim fui motivo de muitas risadas. Mas essa é a graça, né? Locais e estrangeiros se divertindo com todo respeito. Beijos

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