5 Respostas que valem para muitas perguntas sobre o Remote Year

Perdi a conta das mensagens que recebi sobre minha participação no grupo inaugural do Remote Year, um projeto americano que organiza viagens para nômades digitais. Por isso, selecionei as dúvidas recorrentes para responder por aqui.

Muitos brasileiros (a até estrangeiros) fazem contato comigo para perguntar se o Remote Year é confiável e checar alguns detalhes que não parecem tão claros no site em inglês. Afinal, nada como tirar esse tipo de dúvida com alguém sem interesse financeiro em vender a ideia.

Algumas pessoas só têm curiosidade sobre minha experiência, mas a maioria quer saber o seguinte:

  • Como o Remote Year funciona?
  • Quais foram os meus motivos para entrar no programa?
  • Como conseguir aprovação para participar?
  • Como me preparei para a mudança de estilo de vida?
  • Quais as principais dicas para quem quer participar?

Então aqui vão as perguntas que resumem essas dúvidas… com respostas 100% a partir de meu ponto de vista.

Como funciona o Remote Year: expectativa e realidade

Quando me inscrevi para participar do primeiro Remote Year, a proposta era levar 100 profissionais de diversas áreas e nacionalidades para uma viagem de um ano para 12 destinos internacionais – um país a cada mês.

Em cada um dos 12 países pré-programados pela organização, os participantes poderiam trabalhar remotamente, com a conveniência de contar com a estrutura básica para isso: dos deslocamentos às acomodações e espaços de cowork.

Os organizadores ainda prometiam organizar atividades/refeições coletivas gratuitas semanalmente., além de oferecer opções de chips de celular, academias, tours e outras atividades locais que poderíamos ter interesse em adquirir como adicionais. 

Tudo tinha um preço.

Além de pagar pela taxa inicial de 3000 dólares, devíamos desembolsar 2000 dólares de mensalidade pela prestação de serviços. Assim, meu custo total para participar do Remote Year seria de 27.000 dólares se eu ficasse até o final.

Mas não foi à toa que usei todo esse “futuro do pretérito” no parágrafo anterior… Desde o início, muitas coisas não saíram como planejado:

Primeiro, a organização reduziu o número de pessoas no grupo para 75, apesar de afirmar ter recebido mais de 25000 inscrições. Descontando o staff, apenas 68 selecionados partiram na viagem inaugural em vez dos 100 participantes anunciados.

As falhas ao longo do percurso alavancaram tantas desistências que eles até nos ofereceram alguns descontos e já foram abrindo inscrições para novos grupos antes de concluir a primeira edição, na tentativa de recuperar o investimento.

Não fui a única a sair do projeto antes do final: menos de 30 participantes do grupo inaugural completaram o programa.

Por isso achei importante destacar que o objetivo do Remote Year sempre foi o lucro, assim como toda empresa. Eles não pagaram ninguém para viajar ou ajudaram alguém a conseguir trabalho remoto, como muita gente imaginava ao me perguntar sobre o projeto.

Por quê decidi participar do Remote Year

Eu sempre amei vagar pelas ruas de algum lugar desconhecido, observar as pessoas, experimentar estilos de vida diferentes, fotografar, pesquisar e escrever sobre meus achados e achismos. Como eu ganhava bem como stylist, destinava uma porcentagem dos cachês para investir em viagens e fazer tudo isso.

Nos últimos tempos, esta era a minha maior motivação para trabalhar. A cada oportunidade de sair do Brasil, eu demorava mais pra voltar pra casa. E ainda notava o quanto o mercado de trabalho na minha área vinha mudando para pior…

Então resolvi “cortar o intermediário” e partir para uma imersão no cotidiano em outro(s) país(es), levando uma vida mais simples.

O Remote Year surgiu em minhas pesquisas num momento em que eu estava completamente decidida a me tornar nômade digital — e aberta até as opções mais malucas para empreender essa mudança.

Fernanda-Prats-Pratserie-blog
Na transição de Stylist a Nômade Digital. passei pra frente das câmera e pra trás de um laptop.

O que eu fiz para ser aprovada? Nada demais

Fiz o mesmo que todos os que se inscreveram para participar do Remote Year: preenchi um formulário com meus dados e respostas às perguntas iniciais. Fui extremamente sincera e objetiva, explicando que nunca tinha trabalhado remotamente mas estava disposta a buscar oportunidades.

Nem acreditei quando me selecionaram para as entrevistas online… e nem dormi na noite anterior à minha conversa com um dos fundadores!

Novamente, fui muito sincera sobre não ter um emprego remoto alinhado. Expliquei que estava preparando um projeto de produção de conteúdo para empresas e veículos de comunicação no Brasil e fui incentivada a apostar nessa alternativa.

Dias depois, recebi a notícia da aprovação.

Como foi a preparação para passar um ano fora do Brasil

Tudo aconteceu muito rápido. Tive pouquíssimo tempo para me organizar mas considero que essa foi uma das etapas mais importantes para colocar em prática uma série de mudanças eu que já vinha planejando fazer há tempos.

Lembro que chequei o site e pesquisei se havia notícias sobre fraudes ligadas ao Remote Year. Até conferi os antecedentes dos fundadores antes de pagar a taxa inicial e comprar minha passagem só de ida para Praga – onde começava a prestação dos serviços do RY.

Sem garantias de que não estava entrando em roubada, decidi me concentrar na prospecção de clientes para meu projeto. E me desapegar de carro, móveis, livros… além de um grande acervo de roupas e sapatos (de uso pessoal e para os trabalhos como stylist).

À medida em que em me desfazia das coisas acumuladas, me sentia ainda mais firme em meu propósito. Decidi que, se eu perdesse a grana investida inicialmente no programa, seguiria meu plano por conta própria — como acabei fazendo após ficar 6 meses com o grupo do Remote Year!

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Fernanda Vende Tudo (depois de doar boa parte pras amigas e pro Instituto A Nossa Jornada)

O que recomendo para quem quiser participar do Remote Year

Faça as contas e mantenha o foco no que realmente importa!

A grande jogada de marketing dos fundadores do Remote Year é enfatizar a possibilidade de aprovação para participar de um grupo seleto e viajar pelo mundo. A parte prática é mostrada como vantagem e perde o destaque diante do apelo emocional do sonho de viver viajando.

Então, muita gente se empolga com a “competição” para participar do grupo e esquece que terá de trabalhar remotamente e desembolsar muitos dólares para isso. Também pode haver uma “quebra de expectativa” sobre a convivência com uma comunidade internacional — meu grupo, por exemplo, tinha muitos americanos e pouca diversidade.

Não me arrependo de ter embarcado nessa jornada como free-lancer, mas garanto que a experiência é mais tranquila para quem tem um emprego remoto fixo para cobrir as despesas e/ou muita grana para gastar. Conheci algumas pessoas incríveis, aprendi e me diverti com elas e guardo na memória alguns momentos especiais dessa experiência de viajar em grupo… que teve seu custo financeiro e emocional, como tudo na vida.

Quero reforçar que este post não é publicidade e reflete apenas as minhas opiniões após participar do grupo inaugural do Remote Year por 6 meses.

Beijos, Prats

12 Replies to “5 Respostas que valem para muitas perguntas sobre o Remote Year”

    1. Olá, Rafael. Aprendi e continuo aprendendo muito com esse novo estilo de vida. Com relação ao Remote Year, meu aprendizado foi grande em termos pessoais e profissionais. Tive que me reinventar como nômade digital e foi legal fazer isso junto ao grupo porque com meus colegas eu tive exemplos, possibilidade de parcerias, encorajamento, orientação, etc Além disso, a experiência de trabalhar em outros países e ter acesso a outros pontos de vista é muito rica.Obrigada pelo seu comentário. Bjs, Prats

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